Capado livro De perto e de Dentro

Livro “De perto e de dentro:

A relação entre o indivíduo preso e o espaço arquitetonico penitenciário a partir de lentes de aproximação”.

Desenvolvendo atividades o homem espacializa suas intenções dando-lhes forma física e criando lugares significativos. Assim é que as formas sociais, através das espacializações, relacionam-se com as formas físicas, criando lugares, os quais, por sua vez, influenciam as espacializações. Se estas espacializações criam lugares, são também por eles influenciadas, pois as formas físicas expressas pela arquitetura e as formas sociais expressas pelos eventos, interagem.

A abordagem histórica-cultural de Vygotsky corrobora com a idéia de um sujeito que produz sentidos enquanto atravessado por ambientes interativos, responsivos e participativos, num processo permanentemente dinâmico de relação sujeito-ambiente. Nos cenários interacionais onde a vida se desenrola, construir em arquitetura deve significar, igualmente, buscar uma compreensão das relações entre fatores como o dimensionamento dos ambientes e a possibilidade de regulação da privacidade, ou ainda a relação entre a organização de tarefas cotidianas e a ordenação dos elementos arquitetônicos que as viabilizam.

Assim, cada componente arquitetônico desempenha um papel singular em sua articulação com outros elementos e com a vida das pessoas para quem a arquitetura se oferece como linguagem e instrumento e, portanto, cada edificação revela-se como obra única no sentido das conexões que realiza entre os indivíduos que a habitam e o meio –condição para sua existência como arquitetura. Os espaços construídos são muito mais que proteção às intempéries do ambiente natural; eles são “testemunhos das formas de organização social e dos valores de cada época, os quais não apenas refletem, mas incorporam à sua própria forma de expressão” (Leon apud Silva 1994, p.p.49), tornando-se uma manifestação típica de uma determinada coletividade, ou seja, um produto cultural.

Enquanto produto cultural, o espaço é constituído a partir de práticas sociais concretas que indicam a possibilidade de um fazer compartilhado e significativo. De fato, o espaço construído é lugar do sujeito, feito por indivíduos, para indivíduos. As análises sobre as articulações de sentido acerca do espaço possibilitam, então, a compreensão de como este foi estruturado, como os indivíduos organizam sua sociedade e como a concepção e usos que se fazem do espaço sofre mudanças, tendo em vista que um “autor” o constrói para um “usuário” que recria o espaço a partir de seus próprios processos de produção de sentidos.

A descrição do espaço penitenciário, com suas particularidades, em virtude de seu caráter impositivo, vem contribuir para a compreensão da necessária articulação multidisciplinar, entre arquitetura e psicologia, no intuito de compreender como o espaço construído, e particularmente o espaço penitenciário, interfere na contínua construção do sujeito.

Esta pesquisa vem buscar na psicologia elementos que permitam, aos arquitetos, conhecer os fenômenos decorrentes da relação homem-espaço. Pretende conhecer não só os comportamentos do indivíduo frente ao espaço construído, mas, sobretudo, como o indivíduo se apropria do espaço, modifica-o e se constrói enquanto sujeito, inserido num processo dinâmico de transformações mútuas no espaço e no sujeito, aspecto não contemplado pela Psicologia ambiental.

 

Palavras-Chave: sistemas, zonas de construção, sistema penitenciário, relação indivíduo-espaço penitenciário 


ABSTRACT

 

Developing activities men become more capable giving phisical form to their intentions and creating significant places. this is the way how social forms, through  specializations, having a relation with physical forms, creating places, which, on the other hand, influence spacializations. If those spacializations create places, they are also influenced by them, because architectural physical forms of and social forms which are expressed by events, Interact.

The cultural historical approach by Vygotsky corroborates with the Idea of a person Who produces senses while crossed by interactive environments, responsive and participatory, in a permanent and dinamic process between people and environment. In interrational scenaries where life is carried, build na architecture may mean, equaly, search for a comprehension of relation between the factors like environment dimentions and the possibility of privacy regulation, or the relation between the accomplishments of daily duties and the ordenation of architectural elements which make them available.

So, each architectural element has a very important role in this articulation to the others elements and to people to whom architecture is na instrument and, then, each edification appears as a single work in the meaning of conections which accomplish between individuals which are among them  -condition for his existence as architecture. The build spaces are much more than protection from bad weather in the natural environment;  “testimonals of organizational social forms and values of each time, the ones which not only reflect , but take their one way of expression.” (Leon apud Silva 1994, p.p49), becoming a tipical demonstration of a group, for example, a cultural product, the space is made from concrete social practices which indicate the possibility of a doing toghether action. Indeed, the built space is the  subject’s place, made by individual, for individuals. The analysis about articulation of sense around space make possible, then, the comprehension of how it was structured, how individuals  organize their society and how the concept and space uses change, knowing that na “author” build that For a “user” which recreate the space using their own sense production process.

The description of prison’s space, with their particularities, because of its negative character, contributes to the comprehension of the necessary multidisciplinary articulation, between psychology, trying to understand how the space is constructed, and particularly the prison space, interfere in people’s behaviour .

This research takes some elements form psycology which allow, architects, get to know what comes from man-space relation. Intend not only  learn about individual behaviours in the build space, but, specially, how individuals adpt in the space, change it and becomes a better person, in a multiple transformation process in the space and in people’s lives, what’s is not cared by ambiental psychology.

 

Key words: systems, construction’s zones, the prison system, relation individual-prison system.

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5 respostas


  1. ana silvia em 14 mar 2011

    Boa Noite Suzann. Li apenas o resumo do livro, mas concordo com sua linha de pensamento. Trabalho em um presídio como Inspetora penitenciário e tenho observado ao longo do tempo que o ambiente prisional não mudou. Continuam fazendo presidios com uma forma arquitetônica que lembra a idade média. Não se pensa muito em ressocialização, escolas etc. Se preocupam muito mais com a segurança, que também é importante, porem é importante a inserção de salas arejadas para cursos profissionalizantes etc. O homem é um ser culturalmente histórico e transformador, tá na hora de mudanças.
    Ana

  2. Suzann Cordeiro em 16 mar 2011

    Ana Silvia, obrigada por seu comentário. Precisamos intensificar as discussões sobre o espaço penal, para começarmos a vislumbrar algum avanço no planejamento. O sistema penal é um reflexo da sociedade em que vivemos, que, diga-se de passagem, apresenta-se cada vez mais violenta. Os técnicos, agentes, familiares de presos, todos aqueles que vivenciam estes espaços, precisam contribuir com informações, discussões, para que nós possamos pensar em soluções para o tema. Vamos fazer uma corrente…
    Abraço

  3. Gianni em 07 abr 2011

    Olá Suzan, sou estudante de design de interiores e estou fazendo um trabalho de psicologia ambienal nos espaços prisionais. Fiquei interessada no seu livro, mas não sei como adquirir em Belo Horizonte, MG. Gostaria de saber onde posso comprar o livro e de indicação de outras fontes que tratem sobre o tema. Desde já, agradeço!
    Gianni

  4. Suzann Cordeiro em 11 abr 2011

    Gianni, voce pode comprar no site da editora universitária da Universidade Federal de Alagoas (EDUFAL/UFAL), ou na livraria cultura.
    Caso não consiga, entre em contato pelo meu email, que envio um pra voce… suzanncordeiro@hotmail.com.
    Abraço

  5. Charles Abreu em 16 mar 2015

    Olá Suzann Cordeiro, boa tarde sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e pretendo fazer meu TFG sobre arquitetura prisional, gostaria de ter acesso as suas publicações, pois é a única referencia nessa área no Brasil. Desde já grato.


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